Fragmentos de reportagem da Isto É Dinheiro 09/12/2011
Tijolos em dólar: Queda no preço de imóveis e valorização do real estimulam brasileiros a buscar uma segunda casa, nos Estados Unidos Por Lilian SOBRAL Uma casa de luxo para passar as férias. Imóvel amplo, com mil metros quadrados de área total, localizado em um condomínio fechado, e próximo a alguns dos mais conhecidos centros de entretenimento. O valor? R$ 480 mil. É praticamente impossível encontrar um imóvel desse tipo – e por esse preço – nas principais cidades brasileiras. No entanto, essa residência em Orlando, no centro do Estado americano da Flórida, pertence à família do industrial paulista Sylvio Ribeiro Júnior. “Passamos alguns dias lá em julho e pretendemos voltar para aproveitar o Natal e o Ano-Novo”, diz Mara Ribeiro, mulher de Sylvio. Eles fazem parte de uma nova leva de brasileiros que aproveitam os baixos preços nos Estados Unidos e a força do real em relação ao dólar para comprar imóveis fora do País. O empresário paulista Elias Zak Zak, franqueado da rede imobiliária americana Century 21, vem testemunhando o aumento das vendas. “Minha unidade funciona há apenas um ano, e já vendi seis imóveis no Exterior para compradores brasileiros”, diz ele. Zak Zak nota como os preços compensam na vizinhança. Seu escritório fica na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais valorizados da cidade de São Paulo. Lá, o metro quadrado de um apartamento de alto padrão pode custar R$ 15 mil em média. Na Flórida, uma propriedade comparável em padrão de construção e em localização sai por R$ 5 mil o metro, um terço do valor paulistano. Essa divergência tem dois motivos, a queda do preço dos imóveis nos Estados Unidos e a valorização do real. Quando a bolha imobiliária americana estourou em 2008, milhares de famílias não conseguiram mais pagar seus empréstimos. Seus imóveis foram retomados e revendidos. A chegada abrupta e simultânea de tantas casas ao mercado fez os preços desabar. No Brasil, a situação é o inverso. O aumento da renda e a expansão do crédito imobiliário têm feito os preços subir sem parar. Esse cenário atraiu muitos compradores que já têm casa própria no Brasil e buscam uma segunda ou terceira residência nos Estados Unidos para passar férias em inglês ou para investir. “São viajantes habituais para os Estados Unidos que pretendiam comprar imóveis lá e agora podem realizar esse sonho”, diz Celso Pinto, CEO da Sotheby’s Realty São Paulo. A empresa de Pinto é especializada na venda de empreendimentos americanos para brasileiros. Uma das opções mais visíveis é a Trump Towers de Miami, conjunto de três torres à beira-mar, com 45 andares cada um. Para ser contratados, os porteiros têm de falar português: 75% dos apartamentos foram vendidos para compradores brasileiros. Os novos proprietários já começam a impor seus hábitos, inclusive o brasileiríssimo costume de petiscar na praia. “Até serviço de restaurante no nível da areia o empreendimento tem”, diz Pinto. Outro empreendimento bem-sucedido em Miami é o Canyon Ranch Living. O local funciona como um spa e tem 580 apartamentos com preços que partem dos US$ 400 mil, cifra bem abaixo da média de prédios residenciais de alto padrão no eixo Rio-São Paulo. Do total oferecido, 17% das unidades foram vendidas para brasileiros. Fonseca diz que o Estado preferido dos brasileiros é a Flórida, que concentra 31% dos negócios fechados com compradores que falam português. Miami e Orlando não caíram no gosto dos brasileiros por acaso. A popularidade deve-se à proximidade com o Brasil, ao clima ameno e à aceitação local dos costumes brasileiros. “Às vezes parece que a língua oficial de Orlando é o português”, diz Mara, mulher do empresário Sylvio Ribeiro. Depois da Flórida, os Estados preferidos são a Califórnia, endereço de 12% dos imóveis adquiridos, e o Texas, com 9%. Os brasileiros preferem apartamentos. “A manutenção é mais fácil e barata”, diz Marco Fonseca, presidente para o Brasil da National Association of Realtors, que representa os corretores de imóveis nos Estados Unidos. Para os que optam por casas, empresas especializadas em gerenciamento de propriedades cuidam dos imóveis quando os donos estão no Brasil. Quem quer comprar um imóvel no Exterior deve tomar alguns cuidados. Comprar e manter uma segunda casa de frente para o mar de South Beach pode ser fácil com o dólar a R$ 1,70. “Você estaria preparado para os mesmos gastos se fosse R$ 2,70?”, é a pergunta que Elias Zak Zak faz aos clientes. Quem pensa em revender com lucro deve se lembrar de que a valorização dos imóveis não é garantida, ainda mais com uma nova crise ameaçando a economia americana. Obter renda com o aluguel das casas pode ser mais fácil. As sócias Gabriela Haddad e Tatiana Mosaner, do Halmoral Group, lançaram na quinta-feira 25 um serviço de venda de imóveis na Flórida que já vem com um importante item na proposta: inquilinos, que garantem uma renda mensal entre 7% e 9%. “Os interessados são pessoas que investem em imóveis no Brasil e buscam diversificação”, diz Mosaner. "O brasileiro prefere comprar apartamentos, cuja manutenção é mais barata" - Marco Fonseca, corretor de imóveis Os inquilinos, por sua vez, são os nativos. “Com a crise, poucos americanos têm dinheiro para comprar um imóvel, e acabam tendo que alugar”, afirma outro especialista, Fernando Ponzeto Alves, que trabalha como corretor nos Estados Unidos há sete anos. Se o dinheiro do aluguel ficar nos Estados Unidos, a tributação será feita lá. A alíquota varia de acordo com localização e tamanho, mas pode chegar perto dos 15% cobrados no Brasil. Se o dinheiro for recebido no Brasil, a tributação também será feita aqui. Para os que pretendem aproveitar os juros perto de zero e comprar com dinheiro emprestado, há financiamentos disponíveis que cobrem até 70% do valor do imóvel. O visto necessário é apenas o de turista. “Noven-ta e nove por cento dos meus clientes brasileiros que compram imóveis aqui continuam morando no Brasil”, diz Alves. http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/64377_TIJOLOS+EM+DOLAR A força do real frente ao dólar está dando mais poder de compra aos brasileiros no mercado imobiliário dos EUA do que eles tiveram em uma geração inteira. Por esta razão, a crescente classe média brasileira está comprando propriedades na Flórida, principalmente em Miami, de acordo com um estudo Folha de São Paulo lançou segunda-feira. Além disso, a Associação de Investidores de Imóveis Estrangeiros (AFIRE), disse que as melhorias no mercado imobiliário de Miami é devido principalmente ao aumento do PIB do Brasil. "A criação de riqueza no Brasil está começando a olhar para o comércio além das fronteiras, e Miami, certamente é um destino de investimento quase natural", diz Terra Blanca, CEO da Blanca Imóveis Comerciais no Real Estate Jornal Online na semana passada. De acordo com AFIRE, o excesso de oferta de profundidade em Miami e Sul da Flórida, especialmente em seus mercados de apartamentos, poderia torná-los altamente dependente atraindo um número cada vez maior de compradores estrangeiros como brasileiros. Isto é especialmente verdadeiro dado o fato de que o desemprego ainda é crescente em os EUA e os rendimentos estão em um momento de baixa, enquanto no Brasil o oposto é verdadeiro, a riqueza eo emprego estão continuamente aumentando. Uma recente pesquisa Franklin Templeton das tendências de investimento estrangeiro em alguns mercados emergentes encontrados 70% dos brasileiros pretendia investir no exterior neste ano de 1004 pesquisados. Este é comparado com a média de mercado de 62% emergentes encontrados pela pesquisa. Mas nem Florida Miami são a escolha número um entre os investidores estrangeiros, New York, Washington DC, Boston e San Francisco são os 4 melhores de acordo com a Real Capital Analytics. No entanto, a empresa disse que os EUA é atualmente o número um destino de investimento imobiliário em termos de potencial de valorização de capital. |
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